O que é economia circular e como ela funciona

Tanto os consumidores quanto as organizações já perceberam que adotar este novo modelo econômico não é mais uma questão de possibilidade, mas sim de necessidade.

Gabriele de Barros

06/02/2019 às 11h55 - quarta-feira | Atualizado em 19/02/2019 às 10h30

O ciclo econômico linear — extrair, produzir e descartar — está chegando ao seu limite, fazendo com que os recursos do planeta se esgotem. E o pior: sem previsão de volta. Nesse sentido, a economia circular propõe uma nova maneira de consumo, envolvendo aspectos sociais, econômicos e ambientais.

Você já ouviu falar em economia circular?

Neste modelo econômico, todos os elementos da cadeia produtiva são reaproveitados na fabricação de novos produtos, reduzindo assim a extração de matérias-primas do meio ambiente.

Reprodução/Pensamento Verde

Os consumidores e as organizações já perceberam que adotar a economia circular não é mais uma questão de possibilidade, mas sim de necessidade.

É preciso mudar a forma de produção dos bens de consumo antes que os recursos naturais sejam substituídos por resíduos e detritos humanos.

Um panorama que, infelizmente, já é uma realidade. Segundo dados da ONU, todos os anos, 8 milhões de toneladas de plástico são lançados nos oceanos. Se nada for feito até 2050, os mares terão mais plástico do que peixes.

Nós, do Portal Boa Vontade, já tratamos dessa questão, pontuando os prejuízos do descarte incorreto desses produtos. Sugerimos a leitura destes artigos para que você entenda esse problemão:

+ Plástico: evite, reuse, descarte certo
+ Bons motivos para não usar copos descartáveis
+ Campanha da ONU quer reduzir descarte de plásticos em rios e mares do Brasil

A solução para os problemas passa, portanto, pelo controle da geração de resíduos plásticos e o aumento de sua reciclagem ou reutilização, além do estímulo a novos modelos de negócios, produção e consumo circulares que sejam sustentáveis.

Sendo assim, a transição para uma economia circular representa uma mudança sistêmica, gerando oportunidades econômicas ao mesmo tempo que proporciona benefícios ambientais e sociais.

Pilares da Economia Circular

1. PRODUZIR

Neste novo modelo de economia, o processo de produção tem como base a redução da extração ambiental, ou seja, utilizar uma menor quantidade de recursos na fabricação dos materiais e os aproveitar de forma mais eficiente possível.

2. UTILIZAR

Vale ressaltar que a economia circular exige também mudanças individuais. Ao comprar um produto, não o descarte sem necessidade; use-o até quando ele for útil. Essa etapa é importante na preservação ambiental e constitui o próximo pilar deste novo modelo econômico.

3. RECICLAR/ REUTILIZAR 

A economia circular não descarta o produto, pelo contrário. O conceito se baseia na reutilização desse material e, caso isso não seja possível, a sua reciclagem. Essa etapa do modelo sustentável possui um grande potencial de inovação.

Qualquer produto pode ter um novo destino. Você sabia que há uma maneira correta de descartar roupas?

Princípios da Economia Circular 

A economia circular se fundamenta em três princípios, cada um deles voltado para os diversos desafios que a economia industrial enfrenta na atualidade.

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1. PRESERVAR E AUMENTAR O CAPITAL NATURAL 

Este princípio se baseia na utilização de recursos renováveis ou que apresentam o melhor desempenho possível, de forma que o custo neste processo seja praticamente virtual.

A economia circular também aumenta o capital natural, estimulando fluxos de nutrientes no sistema e criando condições necessárias para a regeneração do solo, por exemplo.

2. OTIMIZAR A PRODUÇÃO DE RECURSOS 

Na economia circular, esse princípio permite dar uma nova vida àquilo que supostamente não serve para mais nada, ou seja, é praticado a reforma e a reciclagem para que componentes e materiais continuem circulando e contribuindo para a economia.

3. FOMENTAR A EFICÁCIA DOS PROCESSOS 

Foca nos bons resultados com a gestão de recursos, como solo, ar e água, extraindo os riscos de poluição ambiental e sonora, e intensificando ações para manter o círculo de atividade sempre contínuo.

Logo, não há grandes despesas e prejuízos ao meio ambiente. \o/

Características da Economia Circular

1. DESIGN SEM RESÍDUO 

A lógica é bem simples: se um produto for projetado com a intenção de permanecer dentro de um ciclo de materiais biológicos e técnicos, podendo ser compostado ou usado novamente, posteriormente não resultará em resíduo.

2. CRIAR RESILIÊNCIA ATRAVÉS DA DIVERSIDADE

Em uma sociedade em que tudo está em constante evolução e mudança, algumas algumas características deveriam ser priorizadas. São elas: modularidade, versatilidade e adaptabilidade.

Na economia circular, sistemas com mais conexões e escalas — diversidade, em outras palavras — são mais resistentes a eventos externos do que aqueles que são construídos apenas para determinado momento e eficiência.   

3. TRANSITAR PARA O USO DE ENERGIA PROVENIENTE DE FONTES RENOVÁVEIS 

Dentro deste modelo econômico, os sistemas devem funcionar a partir de uma energia renovável, contribuindo para um processo restaurativo.

O sistema de produção agrícola, por exemplo, se baseia no rendimento da energia solar. Porém, grandes quantidades de combustíveis fósseis são utilizadas em fertilizantes, máquinas, processamentos e etc...

Se esses sistemas alimentares fossem mais integrados na sustentabilidade, reduziriam a necessidade de insumos à base desses combustíveis e capturariam mais valor energético dos subprodutos e adubos.

4. PENSAR EM "SISTEMAS"

Em uma economia circular, a capacidade de compreender como as partes se influenciam mutuamente é essencial. Os elementos são considerados de acordo com o seu contexto ambiental e social.

Esse pensamento geralmente se refere à maioria esmagadora de sistemas do mundo, ou seja, são não lineares, ricos em feedback e interdependentes. Dentro deste modelo, as condições imprecisas levam a graves consequências e a resultados que frequentemente são descontrolados.

Portanto, tais sistemas não podem ser geridos no sentido convencional linear, muito pelo contrário, devem ter mais flexibilidade e facilidade a se adaptar a mudanças de circunstâncias.

5. PENSAR EM CASCATAS 

Para os materiais biológicos, a essência de criação de valor reside na possibilidade de extrair valor adicional de produtos em cascata, através de outras aplicações.

Na decomposição biológica, seja ela natural ou em processos de fermentação controlada, o material é desintegrado em fases por microrganismos que extraem energia e nutrientes dos carboidratos, gorduras e proteínas encontrados em determinado material.  

Projetos de Economia Circular 

Para que você entenda como este sustentável modelo econômico é aplicável, trazemos aqui o projeto “Economia Circular e Simbioses Industriais em Portugal”, iniciativa inovadora que visa potenciar sinergias entre empresas e a comunidade na área dos resíduos e subprodutos.

O projeto avalia o impacto do reaproveitamento dos resíduos pelas empresas participantes, visando potencializar o envolvimento de stakeholders estratégicos.

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As conclusões desse trabalho apontam para a redução de extração doméstica e a criação de novos empregos, apresentando ainda diversas ações prioritárias no âmbito das políticas públicas com o objetivo de promover as simbioses industriais e acelerar a transição para uma economia cada vez mais circular.

A Galp é uma das organizações que apoiam esse trabalho sustentável. Ela se posiciona como uma empresa integrada de energia, que desenvolve negócios rentáveis e sustentáveis.

A organização considera que a garantia da proteção das pessoas, do ambiente e dos ativos, assim como das comunidades em que opera, e a adoção de uma conduta ética são indispensáveis à sua atuação e estratégia.

Assim, a Galp procura ser uma agente de desenvolvimento da economia, através da criação de soluções sustentáveis que englobam os setores econômico, ambiental e social.

Se quiser saber mais sobre o assunto, é só clicar AQUI.

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*Com informações dos sites Pensamento Verde, Dinâmica Ambiental e Ellen MacArthur Foundation.