A notável Miriam Leitão toma posse como nova imortal da ABL

Durante seu discurso e em entrevista, Miriam destacou a responsabilidade de dar continuidade ao legado de intelectuais que marcaram a história da instituição.

Da redação

09/08/2025 às 15h14 - sábado | Atualizado em 11/08/2025 às 13h49

Divulgação/ABL

Míriam Leitão

Nesta sexta-feira, 8, a jornalista e escritora Míriam Leitão tomou posse na cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Cacá Diegues (que faleceu em fevereiro deste ano).

Eleita em 30 de abril, é a 12ª mulher a entrar para a ABL. Com uma carreira consolidada no jornalismo, a notável Míriam Leitão também se destaca como escritora, produzindo gêneros diversos, tais como ficção, crônica, romance e literatura infantil. 

A condução da cerimônia de recepção foi do acadêmico Antonio Carlos Secchin, que realizou o discurso. O colar da academia foi entregue pela acadêmica Ana Maria Machado, e o diploma, por Ruy Castro. A comissão de entrada foi formada por Rosiska Darcy de Oliveira, Fernanda Montenegro e Lilia Moritz Schwarcz; a de saída, por Carlos Nejar, Antonio Torres e Ailton Krenak.

Na oportunidade, a nova imortal foi saudada por representantes da LBV no evento. Aos microfones da Super Rede Boa Vontade de Comunicação, expressou sua alegria por esse marco em sua trajetória. “A ABL está num momento muito interessante, ela está se abrindo, se renovando e enfrentando novos desafios. Tenho muita coisa para fazer aqui, mas não quero chegar impondo. Vou perguntar como posso me juntar a eles e a elas para seguir adiante com nosso trabalho aqui na ABL”, disse em entrevista.

Ao falar sobre a cadeira que agora passa a ocupar, a acadêmica ressaltou o compromisso de seus antecessores com causas sociais e democráticas. “É continuar o que eles fizeram. Veja que eu fui estudando e fui me encantando pela cadeira 7 porque eles e ela [a cadeira]  sempre defenderam as mulheres, os negros, a liberdade, a democracia e o combate às desigualdades, cada um na sua área. Essa cadeira tem que ser honrada, sim!  Todos foram intelectuais públicos que lutaram por causas. Eles tinham lado, e era o lado da democracia”, afirmou.

A solenidade contou com a presença de amigos e admiradores, entre eles o jornalista Ancelmo Gois e a escritora Ana Maria Gonçalves, que ressaltaram a relevância da trajetória de Miriam e a importância de sua chegada à ABL. Ambos destacaram o compromisso da nova acadêmica com a defesa da liberdade, da diversidade e da democracia, valores que, segundo eles, fortalecem o papel da Academia na sociedade.

Gois ressaltou: “Mais do que uma jornalista, nós temos uma grande repórter nesta casa. Eu me sinto representado por ela, é como se eu estivesse aqui. É uma grande colega, uma pessoa de ideias firmes, que abraça muitas causas há muito tempo, a questão ecológica, a questão das cotas com firmeza. Sou fã da Míriam. Obrigado, LBV.”

"A Míriam é muito querida, uma companheira de luta. Durante muito tempo, ela foi a única pessoa que defendia as cotas. Tenho muito respeito por ela e pelo trabalho que realiza. Estou extremamente feliz de poder estar junto com ela aqui na Casa. (...) A Casa tem que representar essa pluralidade; talvez a maior riqueza deste país seja exatamente essa pluralidade de pessoas", enalteceu a escritora Ana Maria.

O acadêmico Antônio Carlos Secchin, ocupante da Cadeira nº 19 da ABL, destacou a relevância da chegada de Miriam à instituição. “É um grande ganho para nós, como ficou demonstrado também pelo discurso dela. Fiz questão de enfatizar que, além de jornalista, ambientalista e feminista, trata-se de uma escritora e esse aspecto é menos conhecido do grande público. Daí meu discurso ter enfatizado tanto a qualidade literária de Miriam Leitão. Ela contribui muito, exatamente pela multiplicidade de atividades que exerce. Consegue ser excelente no que faz em várias frentes, e vamos querer todas”, afirmou.