Comunicador esportivo José Carlos Araújo escreve: "Lições que ficam"
Colunista da Boa Vontade, locutor esportivo da Transamérica-Rio e apresentador do "Donos da Bola" na TV Bandeirantes apresenta os destaques do mundo esportivo
José Carlos Araújo
31/10/2014 às 21h17 - sexta-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h02

José Carlos Araújo é locutor esportivo da Super Rádio Tupi do Rio de Janeiro/RJ e apresentador do SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio e colunista na revista Boa Vontade.
A temporada vai chegando ao fim, com momentos decisivos tanto na briga pelo título como pela vaga na Libertadores e na luta contra o rebaixamento. Na luta pela taça, a vantagem do Cruzeiro ainda é grande, mas o São Paulo segue à distância. Quanto às vagas para a Libertadores, a disputa é acirrada: além dos já mencionados, Corinthians, Grêmio, Internacional, Atlético-MG e Fluminense disputam quatro vagas, que podem se tornar três, caso o tricolor paulista vença a Copa Sul-Americana. Nota-se, não por acaso, que são os clubes com melhor planejamento e maior investimento. É o segredo da vitória em um campeonato de pontos corridos.
Na zona da morte, clubes tradicionais como Botafogo, Bahia, Vitória, Coritiba e Palmeiras brigam para não cair. Algo tem que ser revisto não só na administração dos clubes, mas também na fórmula de disputa do campeonato. Em nenhum lugar do mundo, há um campeonato com tantos clubes de massa, histórias e tampouco há o rebaixamento de 20% dos participantes.
Sobre o campeonato brasileiro, percebe-se a distinção: o Timão escalou irregularmente o jogador Petrus e foi absolvido; no ano passado, na mesma circunstância, a Lusa, clube tradicional, mas sem força política, perdeu os pontos e consequentemente foi rebaixada para a série B. Hoje, ainda com o trauma desse imbróglio, a Portuguesa sofreu mais um revés: disputará a série C em 2015.
Já no mata-mata, como na Copa do Brasil, prevalecem a raça, a disposição, a emoção, o imprevisível. Aqui, não necessariamente preponderam o melhor elenco e a melhor estrutura.
Ao falar em estrutura, finalmente, com atraso de três meses, a CBF resolveu se mexer para mudar a arcaica estrutura do futebol brasileiro evidenciada durante a Copa do Mundo. Tomando por base o vitorioso método alemão, anunciou a criação de 15 centros de treinamento para a descoberta e formação de novos talentos, priorizando estados onde a estrutura é mais precária, posto que, nos grandes centros, supostamente os grandes clubes devem possuir locais adequados para isso. É um bom começo.
Ainda a respeito do atraso do nosso futebol, tanto tática quanto administrativamente, parece que o pesadelo não tem fim. Mais um gol da Alemanha. Na lista divulgada pela Fifa para a eleição de melhor jogador do mundo, Neymar é o único craque do futebol brasileiro. Em contrapartida, são seis alemães nessa lista: Neuer, Mario Gotze, Toni Kroos, Philipp Lahm, Thomas Muller e Schweinsteiger.
Quando assistimos aos jogos da Liga dos Campões da UEFA, parece que é outro jogo. Futebol bem jogado, jogadas ensaiadas, craques em campo, novidades táticas. Bayern de Munique, Real Madrid e Barcelona são verdadeiras torres de Babel. Praticam um jogo encantador, dinâmico e moderno, como já foi o futebol brasileiro. Que seja apenas uma fase.