Brinquedos com Inteligência Artificial: até onde vai a tecnologia e onde começa a infância?

Anna Douradinho

23/10/2026 às 18h36 - sexta-feira | Atualizado em 29/10/2026 às 14h49

Business Wire

Brinquedos que conversam, respondem a perguntas e simulam carinho por meio da inteligência artificial (IA) ganharam espaço no mercado e conquistaram a curiosidade de muitas crianças. No entanto, essa inovação traz novos e complexos desafios para as famílias.

Embora pareçam inofensivos e interativos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) faz um alerta importante: esses dispositivos exigem cuidado redobrado com a privacidade, a segurança de dados e, principalmente, o desenvolvimento emocional na infância.

Atenção à relação das crianças com a tecnologia

Outro aspecto importante é a interação emocional proporcionada por esses brinquedos. Como alguns sistemas conseguem simular conversas afetuosas e demonstrar respostas aparentemente compreensivas, as crianças podem ter dificuldade para distinguir a interação tecnológica de uma relação humana.

Por isso, é importante explicar, de acordo com a idade, que a inteligência artificial não possui sentimentos e que suas respostas podem conter erros ou informações inadequadas. A supervisão dos responsáveis ajuda a identificar situações que possam causar desconforto ou confusão.

Cuidados na hora da compra

Antes de escolher um brinquedo com IA, pais e responsáveis devem verificar a classificação etária, as informações sobre privacidade e os recursos disponíveis para controlar o acesso aos dados. Também é importante entender se o produto grava conversas, compartilha informações com terceiros ou exige conexão permanente à internet.

Além disso, vale observar se a tecnologia contribui para a criatividade e o aprendizado ou se acaba limitando a criança a interações repetitivas com o dispositivo.

Como equilibrar o uso e tirar as crianças das telas?

A tecnologia pode fazer parte da infância, mas ela nunca deve substituir a essência de ser criança. Para ajudar os pequenos a desconectarem dos dispositivos e resgatarem o prazer do mundo real, vale a pena apostar em alternativas que estimulem a imaginação e a convivência:

Resgate de brincadeiras tradicionais: jogos de tabuleiro, pique-pega, amarelinha e teatro de fantoches estimulam a autonomia e a resolução de conflitos de forma lúdica.

Conexão com a natureza: atvidades ao ar livre como mexer na terra, cuidar de plantinhas, andar de bicicleta ou fazer um piquenique no parque reduzem a ansiedade e despertam a curiosidade sensorial.

Oficinas de Arte e Criação: disponibilize materiais simples como massinha, caixas de papelão, tintas e blocos de montar. Permitir que a criança "suje as mãos" desenvolve a criatividade muito mais do que qualquer tela interativa.

Leitura compartilhada: Ler histórias junto com os pais fortalece os vínculos afetivos e expande o vocabulário de um jeito que a inteligência artificial nenhuma consegue replicar.

Escolhas conscientes para um futuro saudável

Mais do que acompanhar as inovações tecnológicas, o papel dos responsáveis é garantir que a infância seja marcada por descobertas reais, afeto e movimento. No Portal Boa Vontade, você confere conteúdos exclusivos sobre a importância dos brinquedos educativos e dicas práticas para aproximar os pequenos da natureza e das brincadeiras lúdicas.

Com informações da Agência Brasil