Diego Costa
A cidadania e o valor não estão no passaporte e sim nas atitudes cotidianas e no profissionalismo, seja aqui ou em outro continente.
Marcelo Figueiredo
18/06/2014 às 20h41 - quarta-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h01

Diego Costa
A manifestação do torcedor, desde que pacífica, é sempre legítima e sem torcida o futebol não existe. Mas penso ser interessante analisar o jogador como um profissional em busca do sustento dele, da família e também de qualidade de vida. As vaias para o atacante Diego Costa foram justas porque ele e a eliminada Espanha nada fizeram, mas acredito que os apupos para o agora espanhol foram injustos no que diz respeito à escolha pela naturalização e talvez demonstrem até "dor de cotovelo".
Diego Costa é nascido em Lagarto, no Sergipe, lugar que muitos nem devem ter ouvido falar, e onde até hoje o jogador mantém projetos sociais importantes e tem familiares próximos. Assim como tantos outros brasileiros de várias profissões, não teve no País a chance de ser alguém na vida. Não foi oportunista como há em outros esportes e "vendeu" a cidadania. Ele se fez na Espanha, jogou em times menores desde 2007 e se destacou no Atlético de Madrid, que nem é nos últimos anos uma grande força local (este ano foi quase exceção).
A escolha por jogar na seleção espanhola é um direito dele. Diego Costa não foi convocado por Felipão para a Copa das Confederações e já era respeitado internacionalmente. Nem por isso ele reclamou publicamente.
O Brasil se orgulha de ter imensas colônias estrangeiras e ser um País acolhedor. E com razão. Qual o problema então de "exportarmos" cidadãos? Lembro do tenista Fernando Meligeni, que ao perder era chamado de argentino e quando vencia diziam com destaque que era naturalizado brasileiro. A cidadania e o valor não estão no passaporte e sim nas atitudes cotidianas e no profissionalismo, seja aqui ou em outro continente. Quem dera que o atacante Diego Costa disputasse o campeonato brasileiro.