O verdadeiro legado da Copa do Mundo

Durante 32 dias, a competição teve show em campo, mas também grandes lições que podem ser aproveitadas por todos os torcedores brasileiros.

Gustavo Penna

12/07/2014 às 16h11 - sábado | Atualizado em 22/09/2016 às 16h02

 

Um evento esportivo da grandiosidade de uma Copa do Mundo sempre deixa marcas importantes para os torcedores na forma como vivem as experiências do esporte. Vitória esmagadora, derrota honrosa, classificação heroica, superações individuais. Essas são situações que ensinam valores e moldam caracteres. Dentro de campo, mais do que grandes craques e jogadas espetaculares, valores como amizade, companheirismo, respeito e ética ficaram expostos para quem estivesse aberto para receber essas mensagens.

O brasileiro David Luiz amparou o colombiano James Rodríguez, aos prantos, após ser eliminado nas quartas de final, pedindo que o torcedor exaltasse o valor do companheiro de profissão. Um gesto, ao mesmo tempo sutil e grandioso, que mostra a importância do respeito entre as pessoas, seja qual for a situação em que estejam envolvidas.

O contato com tantas culturas e povos de países diferentes também foi uma grande oportunidade para troca de experiências. O brasileiro, que pôde conviver com argentinos, chilenos, alemães, americanos, marfinenses, japoneses, holandeses, além de várias outras nacionalidades, teve a oportunidade de aprender e ensinar, e assim se tornar mais tolerante.

Belos exemplos não faltaram na vigésima edição da Copa do Mundo. A iniciativa dos japoneses de recolher o lixo das arquibancadas pelas quais passaram é uma marca que vai ficar para o torcedor brasileiro. Provavelmente, não vamos começar a conviver com estádios limpíssimos de uma hora para outra, mas, certamente, a Copa ensinou ao povo que os espaços comuns podem ser melhores conservados a partir da iniciativa individual.

Expondo as próprias deficiências e preconceitos, parte dos torcedores também teve a oportunidade de aprender através dos erros. Após o corte de Neymar, o colombiano Zuñiga, adversário envolvido no lance da fratura na coluna do brasileiro, foi alvo de uma avalanche de ameaças pela internet. A página do lateral em uma rede social recebeu mensagens ofensivas e preconceituosas. A repercussão negativa foi suficiente para mobilizar a discussão a respeito dos ataques virtuais e da intolerância, o que propicia a mudança de pensamento entre os preconceituosos e a afirmação de uma conduta respeitosa em relação ao próximo.

Para os convidados em nosso país, o povo brasileiro mostrou todo o seu respeito pela Nação e amor pelo futebol. Cada início de jogo, jogadores e torcedores cantavam o Hino Nacional com força e garra continuando a canção mesmo após a melodia parar. Um exemplo seguido por outras seleções, como Chile e Argentina.

Lições de uma Copa do Mundo que contribuiu não só com o desenvolvimento técnico do futebol mundial, mas também ajudando na formação e consolidação de uma sociedade mais solidária e justa.

SOLIDARIEDADE FORA DE CAMPO

Nathália Valério
Zico

Nestes bons exemplos, a Legião da Boa Vontade realizou em todo o Brasil uma importante mobilização social. A edição 2014 da campanha Fiz um gol pela infância brasileira!mobilizou a população para contribuir com o aprimoramento do trabalho socioeducacional desenvolvido em favor de crianças, adolescentes e jovens. Um grande exemplo de como torcer, promover a paz nos esportes e contribuir para um futuro melhor a quem tanto precisa.

A ação recebeu o apoio de astros do futebol brasileiro e internacional, a exemplo dos jogadores Neymar e Daniel Alves (Barcelona); Dante (Bayern de Munique); David Luiz (Chelsea); Henrique (Napoli); Hulk (Zenit); Jô e Victor (Atlético Mineiro); e Fred (Fluminense), que assinaram a camisa amarela da Instituição em apoio à campanha.