José Carlos Araújo escreve: "É hora de Brasileirão"
Colunista da revista Boa Vontade apresenta análise da Copa América 2015 e os principais destaques do mundo do futebol
José Carlos Araújo
01/07/2015 às 10h43 - quarta-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h04

José Carlos Araújo é locutor esportivo da Super Rádio Tupi do Rio de Janeiro/RJ e apresentador do SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio e colunista na revista Boa Vontade.
A Copa América no Chile mostrou o atual estágio do futebol brasileiro, se é que alguém ainda tinha dúvida. Os 7 X 1 impostos pela Alemanha, na última Copa do Mundo, ainda ecoa e nenhuma medida foi tomada para corrigir o rumo do outrora país do futebol. Ficou provado que não foi um acidente.
A Seleção que disputou a competição continental possuía um único craque: Neymar, que estafado pelo calendário e, talvez, pela responsabilidade, mostrou nervos à flor da pele e acabou suspenso do torneio e ainda terá que cumprir dois jogos de punição nas eliminatórias para o mundial.
Os demais jogadores, embora sejam bons, não são protagonistas nem em seus clubes. Muitos, sem identificação com a Seleção, estão preocupados com penteados, chuteiras da moda e novas transferências. Como time, não havia jogadas ensaiadas. O futebol apresentado estava defasado tática e tecnicamente.
Ainda que haja preconceito e até corporativismo, seria interessante a oxigenação de ideias no nosso futebol com a presença de treinadores estrangeiros. Por exemplo, na recente Copa América, havia 5 treinadores argentinos, inclusive os dois finalistas e o da Colômbia, quarta colocada no ranking da FIFA. Fomos eliminados nos pênaltis para o Paraguai, último colocado nas últimas eliminatórias para o mundial de 2014 que, pasmem, foi despachado por 6 X 1 para a Argentina.

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Os dois finalistas do torneio americano foram mesmo as melhores seleções: Argentina e Chile. Jogaram um futebol bonito, alegre, vistoso e moderno. Belas jogadas, golaços e muita competitividade. São as melhores do continente.
No Brasil, vimos muito bico pra frente, chuveirinho, ofensas, carrinhos, pouca técnica e quase nenhuma renovação.
Enquanto isso, aqui no país, clubes grandes disputavam os veteranos Sheik e Robinho. Ricardo Oliveira, bom jogador, mas já veterano, é um dos artilheiros da competição. Ainda havia clubes como Vasco e Fluminense disputando o ex-craque Ronaldinho Gaúcho. Não há renovação. Os poucos talentos que aparecem vão rapidamente para a Europa. Muitos nem chegam a jogar por aqui.
Dirigentes se perpetuam nos cargos, a base não produz mais talentos com a característica da nossa escola e ainda se cobram preços europeus para espetáculos ruins. Para o futebol voltar a ser a alegria do povo, uma reformulação total seria um golaço.