José Carlos Araújo escreve: Ano-novo, velhos problemas
Colunista da Boa Vontade, locutor esportivo da Transamérica-Rio e apresentador do "Donos da Bola" na TV Bandeirantes apresenta os destaques do mundo esportivo
José Carlos Araújo
06/02/2014 às 22h34 - quinta-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h00

2014 chegou com promessas de mudanças, melhoras, mas tudo parece uma continuação dos anos anteriores. O Campeonato Brasileiro de 2013 ainda tem desdobramentos na justiça, apesar de a CBF ter divulgado a tabela com 20 clubes; as torcidas organizadas provocam um incidente atrás do outro; o calendário é péssimo e o nível técnico é sofrível.
Causa espanto a postura dos tribunais, tanto desportivos, quanto penais, em relação às torcidas organizadas. Por exemplo, a do Timão, após incidentes com torcedores bolivianos e vascaínos, tornou a invadir o CT do clube e a brigar com a polícia na arquibancada. Cadê os procuradores que analisavam tudo através de imagens da televisão? Vasco e Atlético/PR foram punidos pela baderna de seus torcedores.
O Cruzeiro teve uma iniciativa inédita: proibiu as organizadas de usarem o seu símbolo, a sua marca. Cortou de forma radical a relação entre clubes e esses grupos.
O futebol brasileiro está mudado com as novas arenas, com uma mentalidade de negação à sua essência. Cobra-se caríssimo por um espetáculo pobre dentro de campo, desorganização para a venda de ingressos, que estão a preços extorsivos, horários proibitivos para o torcedor, desconforto, medo de violência nas arquibancadas, entre outros fatores.
No Brasil, tínhamos a cultura do futebol bem-jogado, da torcida pacífica e vibrante. Ou seja, o esporte do povo. Hoje vemos que o modelo a ser seguido é o inglês, em que houve elitização do público nos estádios. Mas elitizamos apenas o acesso ao espetáculo. Não dispomos do mesmo conforto, segurança, mobilidade para chegar à arena. Vale frisar que os novos estádios foram erguidos com o dinheiro público. Uma ironia.
Além disso, o futebol praticado não é o brasileiro genuíno, mas, surpreendentemente, o antigo futebol inglês de chuveirinhos e carrinhos. Observa-se que o atual futebol inglês é técnico, moderno, com grandes jogos.
Outra grande perda foi o anúncio da aposentadoria de dois grandes craques do futebol mundial que atuavam em gramados brasileiros: Seedorf, que virou treinador do Milan, e Juninho Pernambucano. Foram grandes exemplos de líderes, profissionais e atletas na acepção da palavra. Desfilavam categoria pelos gramados, com lances de alta categoria e respeito à torcida e às instituições que defendiam. Não é saudosismo, mas faltam jogadores dessa estirpe nos campos tupiniquins.
Que saudade do canal 100 e do legítimo camisa 10! Era o espetáculo que fazia a alegria do povo, que, como no refrão da música “Na Cadência do Samba”, saía feliz cantando “que bonito é...”