Jornalista José Carlos Araújo escreve: "Os campeões estão chegando"
Colunista da Boa Vontade, locutor esportivo da Transamérica-Rio e apresentador do "Donos da Bola" na TV Bandeirantes apresenta os destaques do mundo esportivo
José Carlos Araújo
07/10/2014 às 15h55 - terça-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h02

José Carlos Araújo é locutor esportivo da Super Rádio Tupi do Rio de Janeiro/RJ e apresentador do SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio e colunista na revista Boa Vontade.
Estamos na reta final dos campeonatos nacionais. Pela Copa do Brasil, muita emoção pela frente. No mata-mata, modelo preferido pelos torcedores e mais rentável para clubes e televisão, prevalecem o momento, a decisão e a emoção. Já o Brasileirão privilegia o planejamento, o melhor elenco, a melhor estrutura. Não é o modelo mais apreciado, porém é o mais justo.
Uma boa fórmula seria a mescla, como era antigamente, misturando pontos corridos com playoff. Agradava a todos: clubes, pois nem sempre o de melhor estrutura era o campeão; torcedores, posto que a emoção e a imprevisibilidade dominavam; patrocinadores, com maior exposição da marca; e televisão, com aumento da audiência devido aos sucessivos jogos decisivos.
No modelo atual, praticamente está definido o campeão: o Cruzeiro, com méritos, pois teve o elenco mais equilibrado, o melhor planejamento e o melhor futebol. A emoção fica com a briga pelas vagas para a Libertadores: São Paulo, Internacional, Grêmio, Atlético-MG, Fluminense e Corinthians brigam por 3 vagas. Emoção também na luta para fugir da degola, em que equipes tradicionais como Botafogo, Palmeiras e Flamengo se utilizam de todas as artimanhas para evitar o pesadelo.
Este Brasileirão, além dos belos gols, da ausência de inovação tática, da fuga das características da nossa escola de futebol, teve erros absurdos de arbitragem, casos lamentáveis de racismo e as constantes brigas entre os vândalos nas arquibancadas.
Também houve uma inacreditável ameaça de greve dos árbitros, por conta das críticas às inqualificáveis atuações deles.
Em meio a tudo isso, vale aplaudir a medida da Fifa, que proibirá a atuação de fundos de investimento no futebol. Assim, os clubes ficam mais fortes para proteger suas joias e investir mais na base. Colherão os frutos no campo e nas finanças. Diminuirá e muito a nem sempre positiva figura dos empresários, que fazem dos campos um balcão de negócios. Talvez, desta forma, o futebol brasileiro volte a produzir craques, jogadores com o nosso DNA e identificado com o clube criador.
Quanto à Amarelinha, nenhuma novidade. Manteve a base fracassada da Copa, sem inovação tática, dependente do talento do craque Neymar. Ah, sim, as novidades são os velhos craques Kaká e Robinho.
A reformulação deveria ter sido total, desde a base. Entretanto, só houve uma troca de nomes, ou seja, o famoso jeitinho brasileiro de remediar sem curar, sem tratar a causa a fundo. Resta esperar que Deus seja mesmo brasileiro e nos ponha no caminho certo. Afinal, o futebol é a alma do brasileiro.