Jornalista esportivo José Carlos Araújo escreve: "Inconfidência Mineira"
Colunista da Boa Vontade, locutor esportivo da Transamérica-Rio, apresenta os destaques do mundo esportivo
José Carlos Araújo
10/12/2014 às 16h42 - quarta-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h04

José Carlos Araújo é locutor esportivo da Super Rádio Tupi do Rio de Janeiro/RJ e apresentador do SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio e colunista na revista Boa Vontade.
Ao longo do ano, o futebol jogado no Brasil foi muito criticado. Foi chamado de ultrapassado, lento, sem criatividade, entre outros termos. O fundo do poço foi a goleada sofrida no confronto com a Alemanha: o vexaminoso 7x1. Muitos decretaram o fim do futebol brasileiro, não enxergavam luz no fim do túnel. Era o império do mau futebol. Tudo errado.
A partir do segundo semestre, parece que o futebol mineiro se rebelou e apresentou excelentes resultados, com um futebol moderno, organizado, bonito, competitivo, digno das nossas raízes. Veio para resgatar o nosso orgulho e dar um basta ao pessimismo vigente, agravado pela ausência de atletas brasileiros na lista de 15 jogadores divulgada pela FIFA para a escolha dos melhores meias do ano.
O Cruzeiro tornou-se bicampeão nacional com duas rodadas de antecedência. Foi o time mais regular da competição. Teve o melhor planejamento e o melhor plantel, fora a excelente estrutura extracampo.
Já o seu maior rival, o Atlético/MG, o derrotou duas vezes em uma final eletrizante da Copa do Brasil. O Galo fez jogos emocionantes, imprevisíveis, até chegar à finalíssima. Também possuía um elenco qualificado, com uma estrutura fora de série. Resultado: outra equipe jogando o fino da bola. Um futebol moderno, dinâmico, consistente e agradável ao público.
No jogo final da Copa do Brasil, tivemos uma cena inusitada: as duas torcidas rivais festejando ao mesmo tempo. A do Galo comemorando, de forma justa, a inédita conquista; e a da Raposa, em um raro momento de reconhecimento do esforço do derrotado, levantou o astral de seus jogadores ao comemorar com eles o título brasileiro conquistado uma semana antes. O Mineirão virou uma apoteose de alegria. Emocionante a cena.
O único ponto negativo dessa partida foi o valor cobrado em determinado setor do estádio. A ganância e a falta de bom senso dos dirigentes, que exploram o sentimento e a paixão do torcedor, fizeram com que o Mineirão não ficasse com a lotação máxima. Cobrar mil reais por um ingresso é absurdo, caso de polícia, ainda que muitos defendam a lei da oferta e da procura.
Uma crítica aos dirigentes mineiros, que também ocorre em outros Estados: a opção por clássicos com a destinação de 90% dos ingressos para a torcida do time mandante. A emoção, a rivalidade sadia, a festa, sempre ocorreram com torcidas divididas, meio a meio. Essa sim é uma característica do nosso jeito de torcer. Não assistimos aos jogos como se estivéssemos no teatro. Extravasamos emoções, cantamos, pulamos. E isso fica lindo com ambas as torcidas competindo nas arquibancadas.
Voltando ao Campeonato Brasileiro, é uma lástima o rebaixamento de um grande clube repleto de tradições, como o glorioso Botafogo. Hoje, só a camisa não basta. Como já debatemos em outras colunas, o método de descenso tem que ser revisto, bem como a administração dos clubes. Do jeito que está não é bom para o espetáculo. Nem técnica, nem financeiramente.