Jornalista esportivo José Carlos Araújo escreve: "Deus é brasileiro"
Colunista da Boa Vontade, locutor esportivo da Transamérica-Rio e apresentador do "Donos da Bola" na TV Bandeirantes apresenta os destaques do mundo esportivo
José Carlos Araújo
02/06/2014 às 19h11 - segunda-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h01

José Carlos Araújo é locutor esportivo da Super Rádio Tupi do Rio de Janeiro/RJ e apresentador do SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio e colunista na revista Boa Vontade.
Após um hiato de 64 anos, a Copa do Mundo volta ao País do futebol. Nesse intervalo, o Brasil se consolidou como a maior potência desse esporte, sendo o maior campeão do torneio com cinco títulos, dotado de um estilo próprio de jogo, que sempre encantou o mundo.
Desde o anúncio do Brasil como país-sede, em 2007, muito foi prometido e pouco foi realizado. Surgiram várias manifestações a favor e contra o evento. Entre eles, dois que se antagonizam: #vaitercopa e #nãovaitercopa.
Na verdade, ambas as mobilizações estão corretas. Vejamos: #vaitercopa dos craques; de todas as seleções campeãs mundiais presentes; dos estádios modernos e caríssimos; do maior lucro da Fifa em toda a história do evento; do apoio à seleção; do verdadeiro torcedor popular alijado da competição; dos estádios lotados; do turismo; da receptividade do povo brasileiro; do improviso como se fosse um drible; da princesinha do mar; da beleza amazônica; do calor humano; do drama das partidas decisivas; da emoção do campeão; da dor do corte de atletas por contusão, como nos elencos italiano e mexicano; da globalização da bola, com todas equipes jogando da mesma forma e – o que ainda surpreende - com brasileiros jogando pela Espanha, Itália e outros.
Por outro lado, também tem o #nãovaitercopa da mobilidade urbana; das reformas nos aeroportos; da segurança pública; da destinação dos elefantes brancos após o mundial; da eficiência e qualidade dos serviços de comunicação; das manifestações violentas que fogem ao bom-senso; dos cambistas; da subserviência às regras da Fifa; da pouca transparência nos gastos; da perda da identidade dos nossos estádios, como o Maracanã, que abriu mão do seu charme, da sua história, para se tornar uma bonita arena, como qualquer outra pelo mundo; do muitas vezes reprovável jeitinho brasileiro.
Além disso, diversos craques não chegarão ao Brasil em condições totais devido ao massacre do calendário. Cristiano Ronaldo, eleito o melhor jogador do mundo, é dúvida. Messi chega estafado. Neymar vem de contusão. Diego Costa se recupera no departamento médico.
O problema do excesso de jogos não ocorre somente no futebol brasileiro. É um desafio para todos os países. Um desafio que, enquanto não é enfrentado e resolvido, segue fazendo suas vítimas.
Que comece a Copa e, principalmente, que valha a máxima de que “Deus é brasileiro” para que tenhamos um grande torneio, com muitos gols, belas jogadas, emoções, sem graves incidentes na organização dentro e fora do campo. E, principalmente, que venha o tão sonhado hexacampeonato brasileiro.