Jornalista esportivo José Carlos Araújo escreve: "De volta para o futuro"
José Carlos Araújo
01/08/2014 às 15h53 - sexta-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h02

José Carlos Araújo é locutor esportivo da Super Rádio Tupi do Rio de Janeiro/RJ e apresentador do SBT Esporte Rio, da TV SBT-Rio e colunista na revista Boa Vontade.
Terminada a Copa do Mundo, podemos parodiar o clássico filme “De Volta Para o Futuro”: direcionamos os nossos olhares e emoções para os clubes de coração, para o Campeonato Brasileiro e para a Copa do Brasil.
Sempre fomos conhecidos como o país do futuro, o país do futebol. O único pentacampeão do mundo, o único a participar de todas as Copas do Mundo. Enfim, a pátria de chuteiras.
Mas, não é bem assim. No fatídico Maracanazzo, em 1950, havia euforia idêntica à de 2014. Após o frustrante resultado nas duas situações, como dizia Nelson Rodrigues, persistiu o “complexo de vira-latas”. De maiores do mundo à certeza de que está tudo errado.
Acompanhando os campeonatos no Brasil, há uma ressaca da Copa: estádios vazios; preços elevados; falta de atrativo dentro de campo; carência de ídolos; falta de inovação tática, com todas as equipes jogando da mesma forma, com muito carrinho, chuveirinho e repletas de volantes que não sabem jogar futebol. A maioria dos nossos treinadores não se atualiza. Os clubes não investem na formação de novos valores, que, quando surgem, viram reféns dos empresários.
Apesar de tudo, ainda somos o centro mais forte economicamente no continente sul-americano. Somos o eldorado para estrangeiros e jogadores regressos da Europa em fim de carreira. Nem assim obtivemos sucesso na corrente edição da Copa Libertadores.
Nossas equipes, com exceção do Cruzeiro, favorito para conquistar o bicampeonato brasileiro, estão muito atrasadas taticamente, jogando um futebol feio, lento, sem compactação entre os setores. Também ressalvo a atuação do Atlético–MG contra o Lanús, na final da Recopa Sul-Americana. Se não foi brilhante, honrou a camisa e lutou até o último minuto, como preceitua o seu hino: “Galo Forte Vingador”.
A reestruturação deveria partir da cúpula do futebol brasileiro, com um plano que abarcasse os clubes, a base do futebol nacional, para que nos modernizássemos, voltássemos a encantar o mundo e o torcedor brasileiro. Mas, só atingiu o topo da pirâmide. E pior, foi provinciana, obsoleta, contra o clamor popular. Temos empresário na função de coordenador-geral; o novo-velho treinador do fracasso de 2010 comandando o projeto para a Copa da Rússia. É o futebol-força, traindo as nossas origens.
Até nos clubes, o futuro volta ao passado: Luxemburgo no Flamengo; Felipão no Grêmio. Faltam audácia e criatividade. Mas, não surpreende o atual estágio do futebol nacional. Torcedores continuam agredindo atletas, como no caso do jogador André Santos no Flamengo, sem que houvesse punição; os clubes endividados, falidos e mal administrados.
Só com eternas promessas, sem reformulação efetiva, estamos de volta para o futuro, para a pátria de chuteiras, aonde tem predominado o carrinho, a força e o bico para a frente.