Estaduais — sim ou não?
Colunista da Boa Vontade, locutor esportivo da Transamérica-Rio e apresentador do "Donos da Bola" na TV Bandeirantes apresenta os destaques do mundo esportivo
José Carlos Araújo
01/04/2014 às 23h33 - terça-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h00

Os campeonatos estaduais chegam à reta final. Rivalidades à parte, há uma evidente queda do interesse do torcedor por essa competição. Quais seriam os motivos? Há quem defenda que o excesso de clubes e jogos, fórmulas desinteressantes de disputa e baixa qualidade técnica das partidas são os principais motivos para os estádios vazios.
Mas, outros fatores preponderam: horários inadequados para o público, devido à grade da televisão, principal patrocinadora dos campeonatos; preços incompatíveis com os salários dos torcedores; dificuldades de transporte; violência; falta de ídolos e de jogadores identificados com o torcedor apaixonado; transmissão pela televisão aberta; arbitragem amadora, entre outros.
Sob o argumento de que se paga pelo conforto das novas arenas, os preços dos ingressos se tornaram impraticáveis, quando confrontados com a renda da maior parte da população, que fazia a festa do povo, unindo todas as classes sociais em torno de uma paixão nas arquibancadas. Não se brinca com tradição, não se fere a essência, a cultura do nosso futebol.
Os clubes têm que arrecadar, mas há outros meios que não afastem o festeiro torcedor, a espontaneidade da galera. Como exemplo, tem o Flamengo, tido como time do povo, que pratica a média de preço mais cara do Rio de Janeiro, o que tem afastado o seu fiel torcedor.
Outro ponto a ser questionado é o destino dos clubes de menor investimento, se os estaduais acabarem, como muitos querem. Esses clubes, além da função social de formar atletas, de formar cidadãos, de incentivar a prática do esporte, sempre foram celeiros de craques para os times grandes e até para a seleção brasileira. Ronaldo Fenômeno foi descoberto no São Cristóvão. Rivaldo, no Mogi-Mirim. Sócrates, no Botafogo de Ribeirão Preto.
Quanto à preferência do torcedor é muito mais gostoso brincar com um adversário do mesmo estado. O que seria do futebol sem os Vasco x Flamengo, Fla x FLu, Botafogo x Vasco, Gre-Nal, Atlético-MG x Cruzeiro, São Paulo x Corinthians, Palmeiras x Santos? É essa rivalidade, sadia, sem violência, que movimenta o futebol.
A tudo, soma-se uma situação lastimável, que vem crescendo no Brasil: atos de racismo. Isso é inadmissível em um país miscigenado como o nosso. Da união das raças decorre a nossa força no campo, o drible, o improviso.
O racismo sempre foi repudiado, desde 1923, quando o Clube de Regatas Vasco da Gama lutou contra discriminação racial no esporte e na sociedade. Essa, sem dúvida, em que pesem os inúmeros títulos nos gramados, é a maior glória, orgulho deste clube.
Uma contribuição imensurável para o legítimo futebol pentacampeão mundial. Leônidas da Silva, Pelé, Zizinho, Didi, Jairzinho, Ronaldinho gaúcho, entre tantos outros são frutos dessa união vitoriosa de raças sem preconceitos.