As graves consequências espirituais do aborto provocado

Entenda por que o aborto provocado pode ser considerado um gesto de violência, com graves consequências espirituais.

Da redação

14/06/2018 às 09h03 - quinta-feira | Atualizado em 14/06/2018 às 10h31

O dom da vida nenhum de nós pode conceder; nós somos apenas seus mediadores. A vida é de Deus. Entenda por que o aborto provocado pode ser considerado um gesto de violência, com graves consequências espirituais.

Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, nos ensina a corrigir o que está errado sem julgar. E essa deve ser a nossa postura diante do tema aborto. Há mais de dois mil anos, com tanta sabedoria, Ele nos disse "Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra" (Evangelho segundo João, 8:7). E quem de nós pode fazê-lo? Nenhum de nós, nem naquele tempo e nem agora. Afinal, todos temos os nossos erros a serem corrigidos.

A Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo tem o objetivo de esclarecer, trazer as soluções que o Divino Mestre nos oferece para que aprendamos a preservar a vida e, ainda, para corrigir eventuais falhas, independentemente de quando tenhamos cometido estes deslizes, seja nesta ou em outras existências*.

O que difere o aborto espontâneo do aborto provocado?

Ao tratarmos de assunto tão sério, a primeira questão a ser considerada é que o aborto espontâneo é de natureza diferente a do aborto provocado. Afinal, a primeira situação ocorre sem que a família tenha desejado, significando um processo natural na vida daquele Espírito que está para reencarnar (a criança); e também na vida da família (os pais).

Isto ocorre porque, consoante as Leis Divinas, aquele Espírito tem um período muito breve para cumprir aqui na Terra: esta era sua missão espiritual¹. Esse processo de "separação", que é tão rápido, é muito doloroso para quem tem de enfrentar essa aparente distância (entre os que permanecem no mundo material e os que retornam ao mundo espiritual). Mas não se trata, espiritualmente, de uma perda: os pais que se dispõem a este gesto tão generoso, de ter um filho por tão pouco tempo sob sua responsabilidade no mundo material, assumiram no mundo espiritual esse compromisso de recebê-lo, em sua guarda, por período tão curto.

Ao tomarem essa decisão (ainda na Pátria da Verdade), conheciam o drama que enfrentariam, mas, acima de tudo, desejavam contribuir com a trajetória daquele ser que lhes fora confiado como filho, demonstrando assim um ato de grande coragem e amor. Por isso, diante da Lei Divina, essa "separação" não representa um ponto final no vínculo espiritual que uniu essa família. Pelo contrário, esses laços permanecem vivos, eles continuam sendo filhos e pais, prova de que amparo celestial não abandona a ninguém.

SXC

Já o aborto provocado é de índole distinta, é um gesto de violência. Trata-se da eliminação da vida biológica de um ser espiritual que tinha sido autorizado por Deus e por seus pais para reencarnar. Toda relação sexual que resulta em fecundação do óvulo pelo espermatozoide, é um sinal da aceitação do compromisso dos pais com aquele Espírito que deseja nascer na Terra. Ainda que seus pais não tenham um relacionamento estável ou digam que não desejam ter um filho naquele momento, o fato de conscientemente se disporem a um gesto que possa resultar em gravidez é considerado como a concessão deles, por intermédio de seu livre-arbítrio², para que aquele Espírito possa reencarnar sob sua responsabilidade.

Confira abaixo o texto Diário de uma criança que não nasceu, de autoria de dr. Schwab.

 

A Religião do Terceiro Milênio proclama que "a família começa no mundo espiritual"³, é sagrada e exige de nós muita responsabilidade. Vale lembrar que muitas das reencarnações são planejadas com séculos e milênios de antecedência, representando oportunidades de contribuir para a melhora de si próprio e do mundo e também como chance de resgate de débitos do passado (faltas que tenhamos nesta existência ou em anteriores, por intermédio da Lei Universal da Reencarnação). É ocasião Divina que permite estarmos unidos com aqueles a quem amamos e que foram designados por Deus para que pudéssemos vencer em nossa jornada de evolução espiritual. Por isso, interromper esse planejamento é gerar, para nós mesmos, terríveis sofrimentos.

Consequências nem sempre narradas

O presidente-pregador da Religião Divina, José de Paiva Netto, em seu no artigo A mulher e "o blecaute do aborto", nos traz estas palavras: "Lamentavelmente, até por falta de informações, há quem proclame como aceitável esse ‘blecaute nos trilhões de células do organismo da gestante’, como bem ilustra a especialista Lilian Piñero Eça, doutora em Biologia Molecular. Além de não darem relevância aos problemas físicos, psíquicos e espirituais, que podem ser irreversíveis na estrutura orgânica feminina, ficam alheios ao silencioso grito de dor da vida que principia".

Portanto, observamos que, do ponto de vista biológico, o aborto provocado é muito sério e doloroso. O corpo da mulher, que estava preparado para receber a criança pelos nove meses seguintes, sofre de repente uma interrupção antinatural que representa imenso ato de violência. A brutalidade não é só com a criança, que estava sendo gestada e que perdeu o direito a sua vida; a violência é profunda também contra a mulher que sofre danos psíquicos, físicos e espirituais muito graves, consequentes dessa decisão. No que se refere à sua saúde física, quando esta provoca um aborto, são aumentadas as propensões para o desenvolvimento do câncer de mama, depressão, há ainda grande incidência de tentativa de suicídio... Enfim, complicações que, muitas vezes, não são narradas e impedem que decisões acertadas sejam tomadas.

Jesus: Divina Inspiração para a Vida

Buscamos no estudo do Evangelho do Educador Celeste - em Espírito e Verdade, à luz do Seu Novo Mandamento: "Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como Meus discípulos." (Evangelho do Cristo segundo João, 13:34 a 35), o conhecimento espiritual necessário para agir com equilíbrio diante das circunstâncias da vida. Em especial, para este debate recorremos à Parábola do servo vigilante (Evangelho segundo Lucas, 12: 35-48) em que o Divino Mestre nos esclarece sobre as responsabilidades que unem a família à criança em gestação.

Nos versículos 37, 42 e 43, Ele nos fala de uma profunda felicidade para todo aquele que cumpre com correção, dedicação, verdade, as suas responsabilidades espirituais. "Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade, em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá"(versículo 37). Jesus afirma que Ele mesmo servirá às pessoas que cumprirem com suas responsabilidades espirituais. Nesse caso, ao falar da família, a responsabilidade é a de cuidar do filho, de amparar o Espírito que não pode se defender, que depende naquele momento da generosidade, do compromisso, do amor de seus pais para nascer e viver. Essas responsabilidades foram assumidas com o próprio Criador; portanto, não se uma discussão somente para ser analisada do ponto de vista material (o que também é importante); mas deve ser composta principalmente de uma análise que anteceda a essa dimensão da existência, pois trata-se de um tema que pertence ao domínio do Espírito. O dom da vida nenhum de nós pode conceder; nós somos apenas seus mediadores. A vida é de Deus.

Ainda nesta passagem, o Libertador Divino exalta aqueles que não fogem às lutas e cumprem com a sua parte, a sua responsabilidade no mundo, com coragem. No versículo 42, Ele nos convida a refletir: "Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?". A figura de um mordomo representa aquele que se dispõe a servir, que é prudente, ou seja, que é sábio, aquele que observa as consequências de suas ações. Representa aqui aqueles que se levantam e cuidam dos seus Irmãos com honestidade, coragem e perseverança. Porque antes de filhos e pais, somos todos Irmãos, somos filhos de Deus.

Por isso, ao observarmos os versículos 45 e 46 encontramos esta advertência: "Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo, em dia em que não o espera e em hora que não sabe, e irá castigá-lo, lançando-lhe a sorte com os infiéis". Ao tratar sobre esse assunto (a preservação da Vida), temos de ter consciência de que nós possuímos uma espécie de poder, que é o direito à vida; no nosso caso, esse direito foi preservado. Mas, nenhum de nós pode usar o próprio direito à vida para tirar o direito do outro de viver. Nós não podemos abusar do poder, das capacidades, dos direitos que Deus nos concedeu. Quando utilizamos esse poder de maneira irresponsável, recebemos o efeito causado pelos nossos atos e, com isso, somos convocados a responder por nossa imprudência.

Quando o Espírito se liga ao corpo?

O espírito une-se ao corpo no momento da concepção (fecundação do óvulo pelo espermatozoide). O corpo precisa atender às necessidades da Alma, do Espírito reencarnante, para que desempenhe da melhor maneira possível a tarefa que precisa desenvolver aqui na Terra. Por isso é importante que aquela Alma já seja conectada ao corpo, unindo-se à sua estrutura material desde o primeiro momento, em que ainda é um conjunto de células (extraordinárias e irrepetíveis, considerando a singularidade de cada pessoa, desde o momento da formação do zigoto). Daí o vínculo da Alma com o corpo se solidificar ainda no momento da concepção, ocasião em que os Espíritos envolvidos já se tornam mãe, pai e filho, constituem uma família.

Muitos filhos de Deus são feridos em cada aborto provocado. O primeiro ferido é a criança, que sente absolutamente tudo o que está acontecendo. Toda a violência do processo é percebida por aquele ser que está nascendo e que se confiou aos seus pais, entregou-se a eles "de olhos fechados", com toda a certeza de que seria amparada, acolhida e respeitada em seu direito de existir.

Mas a mãe e o pai também estão sendo feridos e, muitas vezes, não sabem disso. Do ponto de vista espiritual, quando uma criança é abortada, ela não deixa de existir como Espírito; ela continua sua trajetória no mundo da verdade. Na maior parte das vezes, não compreende o que lhe ocorreu, não entendendo os motivos da violência sofrida e volta-se contra os seus genitores e os persegue.

Então, aquele grupo de Espíritos (os pais, encarnados e o filho, desencarnado) está em dívida. E o remorso da mãe e do pai, seja ele reconhecido ou não publicamente, somado ao rancor e à mágoa daquele que foi abortado, inúmeras vezes, vai formar um quadro de obsessão e perseguição espiritual, infelicidades tão grandes que apenas séculos e séculos de "recomeços" podem reparar. Além disso, considerando que o Espírito faz parte da agenda espiritual de seus pais, acontece um grande "vazio" no compromisso dessas pessoas, na vida, no coração desses envolvidos. Trata-se de tristeza muito profunda, pois se instala na Alma.

Daí a importância de ensinarmos às nossas famílias que sexualidade é coisa séria; é natural, divina, maravilhosa, mas é uma responsabilidade muito séria. Uma fecundação não é só um efeito biológico, material; é um evento do Espírito. Desrespeitar esse processo é causar profundos sofrimentos a si e aos outros.

Direitos e deveres espirituais

O Irmão Paiva nos esclarece que os sofrimentos que nascem da prática de um aborto provocado não são vingança de Deus; tratam-se de resultados diretos de uma atitude de violação das Leis Divinas, ao serem desrespeitados os direitos de alguém à vida e à cidadania. Com isso, matematicamente, estamos projetando para nós mesmos trágicas consequências.

Essa constatação fica ainda mais evidente no subtítulo "Defesa legal do feto", constante do livro Jesus, o Profeta Divino (8ª edição), p. 353: "No Artigo 2º do Capítulo 1º (Da personalidade e da capacidade), do Título I (Das pessoas naturais) do Código Civil brasileiro, de 2002, encontramos: ‘A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro’. Aliás, uma das grandes bandeiras da Legião da Boa Vontade (LBV) e da Religião de Deus é lutar pelo direito constitucional do feto, garantindo-lhe a prerrogativa legal de nascer e viver".

Dessa compreensão, vemos também que o nascituro é, portanto, outro indivíduo; sua vida não é a vida de sua mãe, não é a vida de seu pai. Nenhum nascituro é o útero, nenhum feto ou bebê em gestação é um uma extensão do corpo de sua mãe; ele sobrevive, é verdade, graças à generosidade dela, da nutrição concedida por seu corpo, do amor da Alma que o acolhe em seu ventre, mas a criança em gestação é uma pessoa distinta de sua mãe, sua identidade precede o útero materno: já existia no mundo espiritual.

O que fazer para reparar o erro?

Para entender qual deve ser a nossa postura diante de uma atitude equivocada, recorremos ao Evangelho de Jesus (ainda na Parábola do servo vigilante). Os versículos 47 e 48 nos esclarecem sobre as consequências de um erro, considerando dois diferentes estados de consciência, isto é: quando uma atitude é tomada e a pessoa está ciente do erro que está cometendo e quando não há consciência plena da transgressão de uma Lei Divina. Jesus nos adverte que, quanto mais soubermos sobre determinado assunto, com maior responsabilidade seremos cobrados pela postura diante dele. Provocar um sempre levará a trágicas consequências espirituais, pois a Lei Divina que rege o Universo preserva sempre a vida, em todas as circunstâncias. Entretanto, a pessoa que agiu dessa maneira sem conhecer a extensão do sofrimento que causava a si e a seu filho, cobrará a si mesma de maneira muito diferente da pessoa que tinha conhecimento sobre os efeitos de seu ato e o cometeu mesmo assim.

Se a violência já foi cometida, o que fazer? A primeira providência é orar. Pedir a Deus por esse filho, por essa filha, que se encontra no mundo espiritual. Abrir o coração diante ao Médico Celeste, suplicar o perdão do filho que está no Mundo da Verdade, rogando a Deus por uma nova oportunidade de reencontro. Pedir ao Pai Celestial que essa criança receba uma nova oportunidade de nascer pelos mecanismos da Lei Universal da Reencarnação. Rogar a Deus por essa oportunidade, falar honestamente do nosso sentimento cria condições para a transformação dessa circunstância de dor em chance de recomeço. E além desse gesto sublime, é preciso agir em favor das crianças já nascidas aqui na Terra; ampará-las com o cuidado merecido por esse filho, ou filha, que está no mundo espiritual, que recebe a força deste ato de amor onde quer que se encontre.

Essa são as oportunidades misericordiosas que Jesus oferece constantemente ao coração humano. Afinal, foi Ele quem disse que veio para nós, que temos erros, veio convocar os pecadores (ou seja, os que erram) ao arrependimento (Evangelho segundo Lucas, 5:32). O Educador Celeste não vem nos julgar; vem nos dar oportunidade. Que saibamos, portanto, acolher esse convite à redenção, chance de ajudar aqueles que estão à nossa volta e precisam desta chance também. O Cristo trabalha sempre para que o perdão e o Amor prevaleçam, por toda parte, para que saibamos honrar esse divino sinal da generosidade de Deus, que é a vida.

Que em nossas preces possamos pedir a Ele as forças e sabedoria de que necessitamos para escolher sempre pela Vida, permanecendo no Seu Amor, pedindo as bênçãos do mais Alto em favor de todas as mães que trazem seus filhos em seus ventres e também por todas as crianças que reencarnam no mundo, que estão sendo gestadas por suas mães, amparadas por seus pais, avós, irmãos. Que a Proteção Divina esteja sobre todas as vidas que persistem, apesar das imensas violências que campeiam pelo mundo. E alcancem também as mães que acolhem os filhos de outras mães, e sobre todas as pessoas que lutam pela dignidade de qualquer filho de Deus. Que, com coragem, possamos sempre nos levantar e lutar por quem não pode se defender. Que com nosso gesto saibamos bradar pela vida, por sua preservação em todas as suas sagradas manifestações. Rogamos a Deus por todos os Seus filhos que são, antes de tudo, nossos Irmãos.

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* Nesta e em outras existências: A Religião de Divina reconhece a Lei Universal da Reencarnação e esclarece ser ela a oportunidade nova concedida por Deus para a evolução espiritual de Suas criaturas. Em Apocalipse sem medo, páginas 73 e 74, escreve Paiva Netto: "Não deixemos escapar da memória o que prometemos, na Esfera Espiritual, realizar na Terra em benefício dos semelhantes. Geralmente nos estamos quitando de erros cometidos em existências anteriores. Quero reiterar o seguinte: reencarnação não é castigo de Deus. Ao contrário, é a Sua misericórdia concedendo-nos novas chances. É melhor do que o inferno eterno. Como um pai vai desejar que o seu filho, por mais que tenha errado numa vida de 50, 60, 70, mesmo 100 anos, passe toda a Eternidade no sofrimento infernal, nas chamas que não consomem? (...)".

1 Missão Espiritual: Ensina a Religião Divina que ninguém nasce na Terra sem um propósito de existência. O próprio Cristo nos deu Seu exemplo: "Desci do Céu não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade Daquele que me enviou" (Evangelho, segundo João, 6:38). Portanto, cada um de nós, antes de reencarnar na Terra, assumiu no mundo espiritual — nossa pátria de origem, já que estamos corpo, mas somos espírito (Paiva Netto)um conjunto de compromissos denominado Agenda Espiritual.

2 Livre-arbítrio: No livro Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, vol. III, p. 28, no título: Liberdade e consequências, escreve o Irmão Paiva: "Deus a todos deixa moralmente livres, mas não imoralmente livres. É Lei Universal, portanto Sua Lei, que não haja sequer um ato que não tenha consequência.".

3 Família nasce no mundo espiritual: Esclarece Paiva Netto: "Tudo nasce do Mundo Invisível, até mesmo nossa existência corporal", publicado na versão pocket do livro É Urgente Reeducar, p.270, tópico nº 29 de Cidadania do Espírito.

Autora: Paula Suelí, ministra-pregadora da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo.