Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais alerta para prevenção
By the Editorial Staff
Tuesday | July 28, 2026 | 12:45 PM | Last update: July 31, 2026, 1:58 PM (Brasilia time)
O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado nesta terça-feira, 28, é o ponto alto da campanha nacional Julho Amarelo, destinada a promover a conscientização da população sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças.
As hepatites virais causam uma inflamação aguda ou crônica do fígado. Elas são classificadas pelo tipo de vírus: A, B, C, D (Delta) e E. No Brasil, as hepatites mais encontradas são as causadas pelos vírus A, B e C.
A doença, na maioria das vezes, avança sem demonstrar sintomas por longos períodos. Em muitos pacientes, os sintomas são confundidos com problemas comuns do dia a dia, como fadiga, mal-estar geral e perda de apetite.
De acordo com o hepatologista Adriano Moraes, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), os sintomas mais evidentes costumam surgir apenas em estágios mais avançados. Entre eles estão o amarelamento da pele e dos olhos (icterícia), urina escura, fezes claras, dores abdominais e coceira.
“O fígado sofre em silêncio. A maioria das hepatites e doenças hepáticas não causa dor nem sintomas no início. O fígado tem uma grande reserva funcional e isso explica porque ele pode sofrer inflamação por muitos anos sem produzir sintomas evidentes”, explicou o hepatologista.
Sem o devido tratamento, as formas crônicas da doença podem evoluir para complicações graves, como cirrose e câncer de fígado, além de aumentar a necessidade de transplante hepático. Estima-se que entre 30% e 40% dos pacientes não tratados desenvolvam quadros crônicos ao longo da vida.
FORMAS DE PREVENÇÃO
A Sociedade Brasileira de Hepatologia ressalta que as principais formas de controle da doença envolvem vacinação, testagem regular e medidas preventivas de higiene e comportamento:
Vacinação: A vacina contra a hepatite B é recomendada para a população geral, com atenção especial a profissionais de saúde, pessoas imunodeprimidas e grupos de maior vulnerabilidade. Já a vacina contra a hepatite A é indicada para crianças, viajantes para áreas endêmicas e outros públicos específicos.
Cuidados Individuais: É fundamental não compartilhar objetos de uso pessoal e perfurocortantes (como lâminas de barbear, alicates de unha, escovas de dente, agulhas e seringas) e utilizar preservativo nas relações sexuais para evitar a transmissão do vírus B.
Testagem: A recomendação médica é que todas as pessoas realizem o teste para as hepatites B e C ao menos uma vez na vida, especialmente aquelas com mais de 40 anos ou pertencentes a grupos prioritários.
CUIDADOS NO PRÉ-NATAL
As hepatites B e C também podem ser transmitidas da gestante para o bebê durante a gravidez ou no parto (transmissão vertical). A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) reforça que a realização de exames de sangue no pré-natal é essencial para diagnosticar a infecção precocemente e adotar as medidas de proteção necessárias para a mãe e o recém-nascido.
PANORAMA NO BRASIL
Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, indicam a confirmação de 826.292 casos da doença no país entre 2000 e 2024.
Hepatite C: Representa 41,5% dos registros (342.328 casos).
Hepatite B: Corresponde a 36,6% das notificações (302.351 casos).
Hepatite A: Soma 21,2% das ocorrências (174.977 casos).
Tipos D e E: Respondem por 0,6% (4.722 casos) e 0,1% (1.914 casos), respectivamente.
No mesmo período, foram registrados 49.999 óbitos por causas básicas e 45.959 por causas associadas às hepatites virais. A maioria das mortes esteve relacionada às hepatites C (75,3%) e B (22%).
DESAFIOS NO ENFRENTAMENTO
A SBH aponta que os principais desafios para o combate às hepatites no Brasil incluem a baixa adesão às vacinas disponíveis no SUS, a subnotificação por falta de diagnóstico, a demora no encaminhamento a especialistas e as desigualdades de acesso aos serviços de saúde entre as diferentes regiões do país.
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Com informações da Agência Brasil