Congresso mundial discutirá impacto social e ambiental na saúde

Agência Brasil

09/02/2015 às 09h10 - segunda-feira | Atualizado em 22/09/2016 às 16h04

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Discutir os impactos de fatores sociais e ambientais na vida das pessoas, para mostrar que o acesso à saúde vai além da assistência médica. Este é o objetivo da delegação brasileira que vai ao 14º Congresso Mundial de Saúde Pública, entre os dias 11 e 15 deste mês, em Calcutá, na Índia. O evento, cujo tema é Pessoas Saudáveis, Ambientes Saudáveis, reunirá pesquisadores e profissionais de gestão de organizações internacionais.

O evento, promovido a cada três anos pelo Congresso da Federação Mundial de Associações em Saúde Pública, tem como um de seus propósitos influenciar as decisões da Organização das Nações Unidas (ONU), que discute a adoção das novas Metas do Milênio. Entre os 17 novos objetivos previstos, está o de “assegurar uma vida saudável e promover bem-estar para todos”.

Na avaliação dos especialistas, a meta precisa estar ligada aos demais objetivos, como acabar com a pobreza, garantir acesso à água, ao saneamento e à energia elétrica, e o cuidado com o meio ambiente.

Representando a Federação Mundial de Associações em Saúde Pública, o conselheiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Luiz Facchini, explica que as condições de saúde das pessoas são determinadas por vários fatores, e a pobreza é um dos principais.

“A escassez de água, como vemos hoje no Sudeste brasileiro, sendo persistente no Nordeste, e a poluição atmosférica são problemas de todos, mas que afetam mais os pobres", disse. "Essas pessoas vivem em moradias precárias, passam horas no transporte público apertado e acumulam uma série de problemas de saúde referentes a essas experiências”, afirmou Facchini, que também é professor de medicina da Universidade Federal de Pelotas.

O secretário executivo da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), Francisco Campos, que representará o Brasil no congresso, acrescenta que, para garantir uma vida saudável, os países precisam de medidas nas áreas social e ambiental. “Políticas de saúde não se restringem à assistência médica. Ter uma casa adequada, acesso à seguridade social (aposentadoria, pensão, auxílio-doença, por exemplo), deixa a pessoa mais tranquila, portanto, mais saudável.”

A discussão sobre a cobertura universal de saúde, como um direito humano e obrigação do Estado, também estará na pauta do evento. No congresso, ainda há a expectativa de que o impacto de violações de direitos humanos na saúde sejam avaliados. “Temos resquícios de práticas absolutamente condenáveis no mundo, como trabalho escravo, exploração de mão de obra infantil, violência e coisas muito piores que impactam diretamente a saúde e a vida das pessoas”, destaca Francisco Campos.