Vida e morte: um diálogo possível e necessário

Saiba tudo o que aconteceu no 1º dia do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV

Clara Botelho

18/10/2021 às 16h58 - segunda-feira | Atualizado em 20/10/2021 às 01h52

Vivian R. Ferreira
Josué Bertolin, supervisor responsável pelo Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, e os apresentadores Eduardo Izaías e Angélica Beck.

No último dia 19/10 (terça-feira), teve início o Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, que nesta edição ocorre em formato on-line por conta do distanciamento social devido à Covid-19. O evento conta com o tema "Vida e Morte em diálogo — Ciência e Fé conversam sobre as dimensões da existência" e convida centenas de pessoas, entre os quais cientistas, pesquisadores, religiosos e acadêmicos, ao importante intercâmbio entre religião e ciência.

Com início às 19h30, a abertura contou com Nicholas Beck de Paiva, representando o diretor-presidente da Legião da Boa Vontade e criador do Fórum, José de Paiva Netto, saudando os presentes. Na ocasião, o representante destacou: 

"A respeito deste importante debate sobre o fenômeno da morte, Paiva Netto, em seu livro Os mortos não morrem, nas páginas 93 e 94, escreve: “Esse é um assunto a ser contínua e amplamente debatido e investigado, sem ideias preconcebidas, como têm feito vanguardeiros pesquisadores nos mais variados campos do saber. Há de se ter coragem para enfrentar o status quo, em geral materialista, e desenvolver ainda mais métodos, técnicas e tecnologias para estudar, em profundidade, um tema tão presente na vida de todos, nas mais diversas culturas e nações”.

Por isso, é imprescindível que haja esse diálogo fraterno cada vez mais entre todas as áreas do conhecimento espiritual-humano. Que, a partir do respeito às visões e às crenças, a humanidade possa, com equilíbrio, paz e serenidade, vencer seus desafios."

Palestrantes dialogam sobre as dimensões da existência

Após a cerimônia de abertura, deu-se  início ao ciclo de palestras a fim de debater e aprofundar a temática do evento. Com um tema que atende um dos mais impactantes anseios da realidade humana, os palestrantes abordaram aspectos fundamentais da vida, como: de onde viemos?; o que ocorre após a morte?; como explicar lembranças de vidas passadas?; qual é a natureza da alma humana?... 

Vida após a vida: as experiências de quase-morte

Dr. Raymond Moody - Médico psiquiatra norte-americano e Ph.D. em Filosofia. Pioneiro na pesquisa de experiências de quase-morte (EQMs).

 

Conduzida pelo médico psiquiatra norte-americano e Ph.D. em Filosofia, Dr. Raymond Moody, a palestra que deu início a noite do evento tratou de interessante fenômeno que pode ocorrer após o indivíduo ter sido pronunciado clinicamente morto ou muito perto da morte: as experências de quase-morte (EQMS).

As EQMS, como explica o estudioso, são "forma de consciência transcendental ou um estado alterado de consciência que acomete as pessoas quando elas se encontram em um estado fisiológico extremo: o coração pode parar e a respiração também, mas mesmo assim, do ponto de vista delas, elas entram num estado muito profundo de consciência transcendental. E é isso que chamamos de experiência de quase-morte”. 

Além disso, Moody relacionou essas experiências com a tentativa de suicídio: "[...] há pelo menos dois estudos que eu conheço, nos quais pessoas que estavam tendo ideações suicidas foram levadas a ler relatos de experiências de quase morte e isso interrompeu essa ideia suicida. [...] nos muitos casos de pessoas que conheci, que tiveram experiências de quase morte e conexão com as tentativas de suicídio, todos voltam e falam: “Eu nunca faria isso de novo.” Não porque eles sentiram que se tivessem chegado até a conclusão, eles teriam acabado em um inferno terrível, mas, sim, porque eles percebem que a vida tem um propósito; eles disseram, como uma matáfora, que era como sair de um filme, no meio do filme, você saiu insatisfeito. E também, perceberam que caso a tentativa de suicídio houvesse sido concretizada, eles teriam testemunhado o sofrimento e a dor que essa ação poderia causar a seus entes queridos. Então, pelo menos para mim, as experiências de quase morte são um bom impedimento para o suicídio." 

"Os mortos não morrem" (Paiva Netto)

Andréa de Jesus, Pregadora da Religião Divina 


Após palestra inicial, o evento seguiu com a participação da Pregadora Ecumênica da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo e Missionária de Desenvolvimento Apostolar, de Salvador/BA, Andréa de Jesus. 

Na ocasião, a palestrante discorreu sobre importante tese do propositor do Fórum, Paiva Netto, que convida a todos a pensarem sobre a eternidade da vida, além de trazer a visão da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo a respeito da vida após da morte. 

A estudiosa destacou: "O que acontece, pra onde vão aqueles que atravessam fenômeno da morte? O que ocorre no Mundo Espiritual, nas dimensões pra onde vão aqueles que retorno ao Mundo da Verdade? […] Na página 308, do livro “Os Mortos não morrem”, de autoria de Paiva Netto, o autor diz “Se a onda do momento é o materialismo, efetivamente não passa de onda. Eterno é o espírito, e as inegáveis evidências empilham-se aos montes. Um dia, todos compreenderam isso. Além do mais, o mundo espiritual não é um dormitório. Lá existe franca atividade.”

Espiritualidade, cuidados paliativos e enfrentamento do luto

Prof. Dr. Ramon Moraes Penha

 


Em seguida, a temática do evento foi aprofundada pelo Prof. Dr. Ramon Moraes Penha, professor adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, mestre em Enfermagem e doutor em Ciências pelo Programa de Pós Graduação em Enfermagem na Saúde do Adulto, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).

O estudioso abordou os cuidados no enfrentamento do luto, tema tão importante e sensível ao momento em que vivemos com os desdobramentos da pandemia do novo coronavírus. Ele explanou que "[...] quando um ente querido vivencia uma doença grave e, a depender de sua condição social, se ele ainda é responsável por manter a sua família ou responsável pela manutenção financeira do seu contexto familiar, e ele vê que irá morrer, existe um aspecto importante da angústia com aqueles que ficam: ninguém morre bem preocupado com aqueles que ficarão. A dor física, a maioria de nós vencemos. E nos estudos isso tem sido direcionado fortemente ao manejo da dor física e nós sabemos que, embora, 85 a 95% dessa dor possa ser plenamente controlada com medidas farmacológicas, ainda há um grande desafio relacionado ao adequado direcionamento dessas terapêuticas para amenização da dor total. 

Saunders [médica e estudiosa francesa] diz que “para dor total, é necessário o cuidado total”. Então, nós vivenciamos a condição humana, aspiramos uma condição espiritual - o transcendente -,  mas temos a condição humana como intermédio desses dois mundos. E  esse é o nosso grande desafio, a grande pergunta:  como transcender estando na carne, vivenciando o corpo físico?”, convida o professor à reflexão.

A natureza da alma humana

Escritor Rodrigo Alvarez

Com o intuito de mergulhar nos questionamentos relacionados à alma humana, o ciclo de palestras do Fórum deu contiuidade à noite com um bate-papo com o jornalista e escritor, Rodrigo Alvarez.

Na oportunidade, o convidado apresentou suas pesquisas sobre a natureza da Alma humana, sob diversos enfoques filosóficos, científicos e religiosos pela história.

Alvarez refletiu que "[...] o conceito de alma passa também por uma nova e grande transformação que é a ideia, a possibilidade, disso ser conectado a outros equipamentos. Então, com as novas tecnologias, nossa alma começa a ser passiva de conexão...Então, a proposta que eu trago no meu livro Alma (2021) é essa reflexão: o que está acontecendo com a nossa alma? O que vai acontecer com a nossa alma? Ainda devemos chamar de alma, mente, consciência, espírito? [...] Para onde vai essa nossa existência? Nós vivemos um período incrível de transformação, nenhum ser humano antes de nós viveu tantas transformações, ninguém experimentou tantos desafios [...] mas parece que estamos tão ocupados com as redes sociais, que a gente está esquecendo de olhar para nossa própria essência. A  gente está esquecendo de pensar no que sempre fez sentido para nós, aquilo que moveu tantos filósofos, tantos escritores, tantos pensadores, aquilo que chamamos de existencialismo parece que está se diluindo em bits e bytes pelas redes sociais a ponto de não temos mais controle da nossa própria alma.”

O que sobrevive à morte? - Uma pesquisa sobre as crenças das pessoas

Dra. Helané Wahbeh - Diretora de pesquisa do Instituto de Ciências Noéticas e professora assistente adjunta do Departamento de Neurologia da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, nos Estados Unidos. Atual presidente da Parapsychological Association.

 

Para encerrar a noite, o evento contou com a diretora de pesquisa do Instituto de Ciências Noéticas, professora assistente adjunta do Departamento de Neurologia da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, nos Estados Unidos, e atual presidente da Parapsychological Association, Dra. Helané Wahbeh. 

A estudiosa abordou uma interessante pesquisa realizada por sua equipe a respeito da crença humana sobre vida após a morte. Ela destacou: "O que sobreviver à morte significa? Hoje estamos enfrentando um mundo com desafios enormes por conta da Covid-19, preconceitos, racismo sistêmico, também a divisão das pessoas e essas experiências afetam cada um de nós, fazendo com que nós pensemos em modos de reagir a isso. [...] Aqui na IONS nossa premissa é que tudo está interconectado e quando nós incorporamos essa consciência isso revela informações e energia além do tempo e espaço que, por sua vez, amplia profundamente nosso bem-estar. Essa visão de nossa interconexão inerente nos oferece um caminho promissor para o futuro. Assim, uma maneira de ver essa interconexão é por meio do estudo da consciência que nós e outros fizeram, demonstrando que a consciência não é local e também não está limitada ao nosso cérebro físico e nossas noções convencionais de tempo e espaço. [...] Então, essa "não localidade da consciência" que observamos enquanto estamos vivos persiste após a morte física. Se nossa consciência não é local, então essa "não localidade" não poderia continuar existindo depois que o corpo morre?", indagou a pesquisadora.

Para conferir o Fórum na íntegra, acesse: forumespiritoeciencia.org ou no canal exclusivo no YouTube.

O evento

O Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, foi criado no ano 2000 e desde então marca vanguarda ao propor “Ciência e Fé na trilha do equilíbrio”. Ao longo de mais de 20 anos, tem se destacado como um dos maiores eventos do gênero no mundo, pioneiro em reunir respeitados nomes da Ciência, da Religião e demais áreas do conhecimento no propósito de “estabelecer um espaço para o colóquio solidário e profícuo. E assim fomentar o diálogo sobre assuntos fundamentais para o entendimento de nossa existência aqui, neste pequenino planeta, como também do nosso estágio na hierarquia do Cosmos, utilizando, para esse fim, a conciliação do conhecimento humano com o espiritual nos diversos campos do saber”, conforme apresenta seu criador, o jornalista Paiva Netto.

Fernando Franco

Paiva Netto apresenta mensagem aos congressistas do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, criado por ele, em 2000, para ser um espaço permanente e livre de qualquer preconceito para debate e intercâmbio entre o conhecimento científico e o saber religioso.

32 anos do Templo da Boa Vontade

O evento faz parte das celebrações dos 32 anos do Templo da Boa Vontade, em 21 de outubro, que, este ano, tem sua programação on-line nas diversas mídias da Comunicação 100% Jesus! Você pode acompanhar por meio da Boa Vontade TVSuper Rede Boa Vontade de Rádio ou baixar o aplicativo legionário Boa Vontade Play!

Felipe Moreno