Água virtual? Entenda por que consumimos mais líquido do que pensamos

Nathan Rodrigues

14/08/2017 às 09h28 - segunda-feira | Atualizado em 14/08/2017 às 10h12

Pense na quantidade de água que você consome. O seu cálculo provavelmente incluiu o uso para necessidades básicas de higiene, ingestão ou preparação de alimentos, certo? Ok, e quanto à utilização do líquido para produzir tudo aquilo que consumimos, como alimentos, roupas e carros? A esse consumo indireto ~ aquele que não notamos ~ dá-se o nome de água virtual.

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O conceito foi apresentado pelo pesquisador britânico Tony Allan, no início da década de 1990, e reúne conhecimentos de meio ambiente, engenharia de alimentos e de produção agrícola, comércio internacional, entre outras áreas, a fim de verificar o volume utilizado no processo de produção de qualquer bem ou produto, independentemente de sua origem. Dessa maneira, é possível saber os impactos ambientais gerados por nossos hábitos e consumos.

Além disso, com esse cálculo, podemos comparar a eficiência dos processos produtivos. Isso vale tanto para a indústria quanto para a agricultura, buscando, é claro, a economia deste recurso natural. Não à toa, a água virtual tem chamado cada vez mais a atenção de especialistas, que já notaram que a demanda desse recurso é maior do que se imaginava.

CALCULANDO A ÁGUA VIRTUAL

Para calcular esse coeficiente, chamado de pegada hídrica, é preciso contabilizar a quantidade de água usada em TODAS as etapas de produção e limpeza. Para medir, por exemplo, o total de água usada para a fabricação de uma folha de papel, deve-se levar em conta o total utilizado no processo de produção das árvores e dos produtos que darão origem à mata, não somente a água usada na indústria. Por isso, quando você usar uma folha de sulfite, saiba que foram gastos 10 litros de água para fazê-la.

Em relação à pecuária e à agricultura, a conta é um pouco diferente. O resultado é obtido a partir da divisão da pegada da água do produto de origem entre seus produtos derivados. Para produzir carne bovina, a maior parte do líquido é gasto na alimentação do boi, no cultivo de seus alimentos e na limpeza de seus dejetos. Assim, quando nos servimos de um quilo de carne, estamos colocando à mesa 15.497 litros de água!

PRODUTO TIPO EXPORTAÇÃO

A questão é tão importante que os governos também a levam em consideração quando negociam qualquer produto. Ao comprar compra algo do exterior, o país está importando, virtualmente, a água usada no processo de produção. O que isso quer dizer? Essa nação tem a vantagem de poupar seus recursos naturais. O Brasil, inclusive, é um dos maiores exportadores de água virtual.

Levando em conta a escassez, há expectativa para que ocorra uma reorganização no comércio internacional da água virtual, tornando possível o uso racional do líquido. Espera-se, por exemplo, que países que tenham reservas produzam aquilo que necessitam de água e exportem, equilibrando o consumo.

E aí, #BoraMudar?

O assunto traz novamente à tona a necessidade de se olhar para a água com mais atenção, buscando maneiras de preservá-la. O Portal Boa Vontade já listou uma série de atitudes que podem ser adotadas em sua casa, no banheiro e na área de serviço, por exemplo, visando diminuir o desperdício. São ações simples, mas que dão uma mãozinha e tanto para o Planeta Terra e, consequentemente, para nós mesmos. 

Afinal de contas, se não tomarmos cuidado hoje, faltará amanhã... Reforçamos o pedido: #BoraMudar?