Leitura para todo o mundo: inclusão social pauta evento literário
Rafael Bruno Abrantes Ferro
10/08/2012
São Paulo, SP — O encantador mundo dos livros tem sido o destaque da capital paulista, durante a 22ª Bienal Internacional do Livro de SP. O evento recebe leitores de todas as idades, até mesmo os que ainda não leem, vindos do Brasil e exterior.
Nesse espaço que reúne diferentes pessoas, a acessibilidade não poderia ser esquecida. Para facilitar o acesso ao local, cadeiras e carrinhos elétricos foram disponibilizados pela organização para o uso de portadores de necessidades locomotoras.
- Foto: Vivian R. Ferreira

- O espaço oferece acessbilidade para pessoas com deficiências. Os cadeirantes, por exemplo, conseguem entrar nos estandes por meio de rampas, que facilitam a locomoção.
No espaço, banheiros adaptados para deficientes físicos integram o esquema montado para atender os mais de 800 mil visitantes, que devem passar pela feira nos 10 dias de evento. Além disso, os estandes possuem rampas de acesso, facilitando também a movimentação dos cadeirantes.
- Foto: Vivian R. Ferreira

- Para facilitar o acesso aos livros, muitos estandes utilizam até a parte de baixo das estantes para dispor os livros.
Quem se beneficia com isso são pessoas como a sra. Dalila Lara. Ela e sua filha, Ana Lara, são frequentadoras assíduas de eventos culturais. "A estrutura de entrada e de circulação é boa. Com as prateleiras até o chão, a minha mãe pôde verificar o que ela queria", afirmou a leitora, que também comentou: "A dificuldade que encontramos aqui é o acesso aos banheiros, onde as rampas são muito inclinadas".
LEITURA PARA TODOS OS OLHOS
O mundo dos livros está cada vez mais abrangente. As mais de 6,5 milhões de crianças com algum tipo de deficiência visual também podem se sentir incluídas na maior feira literária da América Latina.
Livros estão sendo adaptados para todos os tipos de deficiência. Para o público infantil, a Fundação Dorina Nowill para Cegos apresentou livros que crianças cegas e com visão subnormal podem ler junto com os colegas de classe, sem se sentirem excluídas.
- Foto: Vivian R. Ferreira

- Além do alfabeto braile, as imagens também recebem pontilhados, que indicam às crianças com deficiência visual o formato dos desenhos.
Além do texto em braile e em tamanho de fonte grande, as ilustrações também têm um contorno pontilhado. Mãe do João Manuel, que tem baixa visão, e do Ian, Ana da Silva Pinheiro afirma que a deficiência do filho não é barreira para o incentivo à leitura: "Levo sempre meu filho em livrarias e pontos de leitura; ele tem o hábito de comprar todo mês, com a mesada dele, algum livro".
- Foto: Vivian R. Ferreira

- Os livros também apresentam fontes grandes, facilitando a leitura para crianças com visão subnormal.
Segundo explica a gerente geral de operações da Fundação Dorina Nowill, Susi Maluf, "cada formato atende um pouco melhor uma linha: o livro em braile atende muito à criança, porque é importantíssimo para a alfabetização; o livro falado é muito usado no lazer e cultura, principalmente para que os best-sellers da atualidade cheguem rápido à mão da pessoa, de forma que ela leia ao mesmo tempo que todo o mundo está lendo; e o livro digital, muito bom para pesquisa por ter muitas ferramentas de navegação, é usado para livros universitários e de consulta, como o dicionário".
Ilustrador do livro Abraço de urso, lançado pela Fundação Dorina Nowill, Osnei Roko explicou como é o processo de ilustração em um livro para deficientes visuais: “A partir dos desenhos que eu mando, eles fazem adaptação para o que dá para fazer em leitura braile ou não. O garoto na escola que é deficiente visual sabe que o livro que ele tem em mãos é o mesmo do colega que consegue ver”.
Na ocasião do lançamento, o ilustrador autografou uma edição do livro ao dirigente da Legião da Boa Vontade, José de Paiva Netto: “Para o amigo Paiva Netto, com um abração do Osnei. 2012”.